Nova fase de operação contra o 'golpe do falso leilão' prende 4 e detalha esquema que movimentou R$ 520 milhões
Foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão em cidades paulistas Polícia Civil/Divulgação A 3ª fase da Operação Martelo Virtual prendeu quatro inve...
Foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão em cidades paulistas Polícia Civil/Divulgação A 3ª fase da Operação Martelo Virtual prendeu quatro investigados durante o cumprimento de mandados de prisão preventiva e 10 de busca e apreensão na manhã desta quinta-feira (26). A ação mira uma organização criminosa suspeita de aplicar o “golpe do falso leilão” em todo o país e que pode ter movimentado cerca de R$ 520 milhões em cinco anos, segundo a Polícia Civil. Coordenada pela Polícia Civil de Frutal, no Triângulo Mineiro, a operação contou com o apoio da corporação de São Paulo para cumprir as ordens judiciais nas cidades de São Paulo, Santo André, Boituva e São Caetano do Sul. Além das fraudes, também são investigados crimes como lavagem de dinheiro e possível sonegação tributária. “Nós conseguimos localizar e prender quatro investigados que estão sob custódia. O balanço da Operação Martelo: nós conseguimos identificar 56 investigados, foram cumpridos mais de 77 mandados de busca e apreensão em todas as fases, identificamos mais de 30 empresas supostamente de fachadas que foram abertas pela organização criminosa para lavagem de dinheiro”, detalhou o delegado João Carlos Garcia Pietro Júnior. ➡️ Clique aqui e siga o perfil do g1 Triângulo no Instagram As investigações apontam que o grupo atuava de forma estruturada, criando páginas na internet que simulavam plataformas de leilões legítimas e induziam as vítimas ao erro. Acreditando estar arrematando um veículo em uma negociação regular, a vítima transferia dinheiro para contas bancárias dos estelionatários. Entenda abaixo como o esquema funcionava. A Polícia Civil estima que, apenas no último ano, mais de 250 pessoas tenham sido vítimas do golpe em diferentes regiões do Brasil. Nesta 3ª fase, a Polícia Civil apreendeu celulares, documentos, veículos e outros bens de valor, que passarão por análise pericial. Também foram identificados novos imóveis ligados aos investigados, avaliados em cerca de R$ 22 milhões. Golpe do falso leilão A investigação, iniciada em 2023, aponta que o grupo atuava em diversas cidades dos estados de São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro. Os sites desenvolvidos e operados pela organização criminosa tinham aparência semelhante à de páginas de leilões legítimos. Para atrair as vítimas, os investigados usavam ferramentas de impulsionamento em plataformas digitais, direcionando os usuários para endereços eletrônicos fraudulentos. Após o suposto arremate dos veículos anunciados nessas plataformas, as vítimas eram direcionadas para conversas pelo WhatsApp, sob o pretexto de concluir a negociação. Nesse momento, os investigados solicitavam transferências via Pix para contas de pessoas usadas como “laranjas” pelo grupo. Em alguns casos, o prejuízo individual chega a R$ 200 mil — inclusive há registros de vítimas que acreditaram ter arrematado mais de um veículo. Na segunda fase da operação, 38 investigados foram indiciados por crimes como organização criminosa, estelionato eletrônico e lavagem de dinheiro, e posteriormente denunciados pelo Ministério Público. As investigações tiveram continuidade de forma desmembrada para identificar outros integrantes do grupo, especialmente envolvidos na lavagem de dinheiro e em possíveis práticas de sonegação tributária. Estrutura organizada e ‘pulverização’ do dinheiro A Polícia Civil apurou que o grupo atuava com divisão de tarefas bem definidas: responsáveis pela criação e operação dos sites de falsos leilões; investigados usados como “laranjas” para receber os valores dos golpes, cientes da origem ilícita do dinheiro; integrantes que realizavam saques em agências bancárias ou transferências para outras contas ligadas à organização, com o objetivo de fracionar os valores. Esse processo de movimentação dos valores, chamado internamente de “pulada”, consistia no repasse sucessivo do dinheiro para dificultar o rastreamento. na etapa seguinte, os valores eram direcionados a um grupo familiar de São Paulo, apontado como responsável pela “pulverização” dos recursos em diversas contas por fim, os chamados “lavadores finais”, que mantinham em seus nomes bens incompatíveis com a renda declarada, como imóveis, veículos e até motos aquáticas. “Os lavadores finais detinham em seus nomes diversos bens e imóveis, valores em contas bancárias, motos aquáticas e veículos. Na segunda fase, conseguimos desmantelar garagens de veículos que eram utilizadas para lavagem de dinheiro”, detalhou o delegado. Possível ligação com facções criminosas Segundo o delegado João Carlos Garcia, na 3ª fase da Operação Martelo Virtual, a Polícia Civil identificou vínculos com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), presos na Operação Carbono Oculto, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro da facção por meio de postos de combustíveis. “Há movimentações bancárias que foram realizadas em prol da empresa Aster Petróleo S/A, uma das empresas que foi investigada na Operação Carbono Oculto e que acabou identificando que o PCC lavava dinheiro por meio dos postos de combustíveis. As provas serão compartilhadas com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal devido a ligação desses investigados”, concluiu. LEIA MAIS: Suspeitos de movimentar R$ 1 milhão com 'golpe do leilão' são presos Quadrilha que aplicou golpes em sites de leilões falsos é alvo de novos mandados no país Operação Martelo Virtual O nome da operação é uma referência direta ao objeto utilizado em leilões presenciais para finalizar um lance e determinar o vencedor. No contexto do golpe de leilão falso, segundo a PC, o martelo virtual sugere a transposição desse elemento físico para o ambiente digital, onde os lances fraudulentos são realizados de forma virtual e ilusória. Polícia Civil deflagra nova fase da Operação Martelo Virtual VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas